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sexta-feira, 1 de julho de 2011

25 anos: sonhos, sangue e América do Sul

Meu aniversário foi no dia 28 de junho e eu nem escrevi nada a respeito. Na verdade, não tenho escrito muitas coisas de cunho pessoal ultimamente, apenas textos relacionados ao meu trabalho. É que mais uma vez a tecnologia não está a meu favor: meu computador não liga há bastante tempo, então no pouco tempo que tenho livre falta tecnologia. “Mas por que você não escreve à mão e depois publica?”, você há de perguntar. Sei lá. Essa é a minha resposta.

Mas voltando ao assunto do meu aniversário, há duas razões pelas quais fico muito contente por ter nascido no dia 28 de junho.

A primeira é porque coincide com o aniversário de um dos maiores poetas muito loucos do Brasil: Raul Seixas, o Raulzito. Um célebre canceriano.

A segunda razão é porque há 42 anos, em Nova Iorque, um grupo de LGBTT cansou dos abusos da polícia e resolveu revidar. O cenário foi o bar Stonewall, muito freqüentado pela galera do arco íris, e onde a polícia costumava ir para espancar e extorquir os freqüentadores.
No dia 28 de junho de 1969, mesmo dia em que uma musa da população LGBTT Judy Garland (Doroth, de o Mágico de Oz) morreu, o grupo que estava no bar não aceitou as agressões costumeiras da polícia. Os guardas foram expulsos do local sob uma chuva de pedras, garrafas e até moedas e os freqüentadores montaram uma barricada na rua por dias.

Dentre a resistência haviam também mulheres lésbicas e bissexuais, embora algumas insistam em até hoje não visibilizar as fêmeas dentro desse movimento. Tsc, tsc.

O episódio de 28 de junho de 1969 é conhecido como o Levante Stonewall, e é tido como um dos primeiros movimentos de resistência política do movimento LGBTT. Após o levante começaram as paradas pelo orgulho gay nos Estados Unidos. Algumas décadas depois, as paradas já acontecem em várias partes do mundo, inclusive no Brasil.

E euzinha aqui acabo nascendo em outro 28 de junho, só que em 1986. Nem sabia que essa data significava tanto para a galera do arco-íris, nem para a galera do rock. Mas a paixão pela música e principalmente, a aversão à intolerância sempre estiveram de alguma forma presentes em minha personalidade. Só descobri que o 28 de junho era o dia do Orgulho Gay, ou dia da Consciência Homossexual, que hoje é chamada de Dia Mundial de Luta pela Diversidade, quando eu tinha por volta 15 anos, mais ou menos na época da primeira Parada aqui no Ceará.

Apesar de já ter passado meu niver, ainda aceito presentes atrasados: que tal um mundo mais tolerante? Que tal mais respeito com o que é que diferente? Taí um presentão que eu faria questão de dividir.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Quem tem medo de ser fashion?

Brüno, com Sacha Baron Cohen. Sátira com o mundo da moda, homofobia e outros assuntos polêmicos. Crítica aqui e aqui.


A moda é um fenômeno que me fascina. Às vezes eu a odeio. Acho fútil, superficial, e um completo estímulo ao consumo alienado e desenfreado. Já em outros momentos, ela me seduz e me oferece possibilidades de expressar através de meu próprio corpo traços de minha personalidade. Se em alguns momentos isso é apenas pretexto para o consumo, em outros se torna um estímulo para reinventar antigas peças e acessórios.

Antes o meu olhar sobre a moda era completamente nojento. Achava tudo um monte de besteira e odiava o jeito como as mulheres se iludiam, se achando as poderosas por causa de um sapato novo, por exemplo. E isso com toda a violência contra as mulheres truando, a lógica do patriarcado tomando de conta. Quer dizer, você fica se achando porque pintou as unhas de vermelho mas não consegue contestar por que as obrigações domésticas são prioritariamente suas? Ou não aceita a própria aparência, não contesta os padrões de beleza impostos? Grande poder. Para mim, gostar de moda era sinônimo de gente alienada.

O meu olhar sobre esse fenômeno social mudou na época da minha monografia. Li muito sobre relações de gênero durante esse período e também sobre moda. Não só as revistas femininas que eram o objeto da minha pesquisa, mas livros a respeito da moda, seus fundamentos e sua trajetória no decorrer da história.

Dessas leituras, uma das que mais gostei foi História da moda: uma narrativa, do professor de moda João Braga. De uma forma rápida, fluida e interessante, o autor mostra como a moda reflete o contexto socioeconômico e político em que está inserida. Além disso, ela reflete de forma bastante significativa a história das relações de gênero, às vezes reprimindo as mulheres, às vezes libertando-as. Infelizmente tive dificuldades de encontrar o livro na Internet, mas neste site tem pelo menos o preço, caso alguém se interesse.

Um dos pontos mais importantes a serem observados em relação a moda e ideologia, na minha opinião, é que uma não anula a outra. E mesmo a pessoa mais anti-moda e anti-consumo do planeta escolhe o que vai vestir. Sabe aquele roqueiro barra pesada que anda sujo e diz que não liga para a aparência? Dê para ele uma camisa do Aviões do Forró e veja se ele gosta. Ou talvez o comunista assumido e que prega o reaproveitamento e o sentimento anticapitalista não queira usar uma camisa com a estampa da Coca-Cola. Nem de graça. Inclusive, expressar idéias através de mensagens nas camisetas é uma forma válida e interessante de se colocar politicamente, não acha?

A moda permite um exercício de criatividade muito interessante. Pode ser divertida, pode ser irônica. Pode até ser over, se quiser. Não tem nada de errado em escolher o que se quer usar. O fato de gostar de moda não necessariamente quer dizer que a pessoa é vazia, alienada. Isso é besteira.

Você pode sim, querida, ser doida por sapatos. Isso não depõe contra você. Mas reflita sobre esse consumo e sobre sua situação no mundo. Você está com um sapato incrível, mas ainda anda na rua com medo de ser estuprada, é expulsa de universidade por usar um vestido curto demais, e ainda apanha do marido? Pois não pense só no pretinho básico, veja se seus direitos básicos estão contemplados e aja. Porque sapato por sapato, o único que conheço que já salvou alguém foi o da Doroth , de o Mágico de Oz. E ela teve que dar uma ajudinha.



quinta-feira, 14 de abril de 2011

Bandido solto, skate preso


Hoje pela manhã, entre os vídeos mais vistos do You Tube está o registro de um Policial Militar apreendendo um skate no Rio de Janeiro. Enquanto os skatistas argumentavam com o policial, uma menina chega chorando dizendo que o namorado acabara de ser assaltado ali perto. No momento em que ele vai conversar com a menina, um garoto aproveitar para tomar de volta o carrinho. Daí o policial esquece a garota e volta para os skatistas, dessa vez com o cassetete em punho.

A revolta dos skatistas em questão é porque o policial deixou de ir atrás do ladrão, ou até mesmo de prestar socorro a algum possível ferido (pela forma que a menina chega chorando, me parece que aconteceu algo sério com o namorado dela) para ameaçar os garotos. E não duvido de alguma agressão se não houvesse alguém filmando, ou se eles não estivessem num grupo tão grande.

Me pergunto:

O policial tem direito de tomar o skate de alguém?

Onde é proibido praticar esse esporte?

Mesmo sem saber a resposta dessas perguntas, e mesmo que o skatistas tenham dito coisas nada agradáveis para o policial, estou do lado dos garotos.

Porque:

O lugar onde eles estavam não me parece inadequado para a prática do esporte.

Achei a postura do policial abusiva.

A prioridade em ameaçar os skatistas e deixar a moça sem socorro foi ridícula.

Já chega de ver o skate com preconceito, afinal o Brasil já está entre os 5 melhores do mundo nesse esporte. Inclusive cresce a adesão de mulheres na prática.


quarta-feira, 6 de abril de 2011

Preconceito afeta saúde de mulheres lésbicas e bissexuais


Que o preconceito não está com nada todos nós estamos carecas de saber. Mas as consequências para quem sofre discriminação podem ser mais sérias do que pensamos. O site Delas publicou uma excelente matéria sobre como as mulheres lésbicas e bissexuais tem mais problemas de saúde e menos acesso a exames ou hábito de irem ao médico.

Segundo a matéria, devido ao preconceito que sofrem elas tem mais tendência em utilizar cigarro, álcool e drogas ilícitas, pois encontram nesses caminhos uma válvula de escape. E com a auto estima baixa, os entorpecentes tem efeitos devastadores. Além disso, as mulheres lésbicas e bissexuais costumam ir menos ao médico porque sentem-se constrangidas por a maioria dos profissionais estarem despreparados para atendê-las. As consequências são perigosas, pois esse fatores as tornam mais suscetíveis a adquirirem câncer de mama, obesidade e HPV, entre outros males.

Fora que existe uma grande falta de informação. As campanhas de prevenção às DSTs, por exemplo, são fortemente voltadas a relações heterossexuais. As lésbicas não são orientadas sobre como se prevenirem, nem tem recursos próprios para elas. Tanto que elas precisam adaptar a camisinha masculina para se prevenirem. Sabia que as lésbicas precisam ter uma camisinha masculina e uma tesoura para fazer sexo seguro? Pois é, precisam. Elas precisam cortar a camisinha em forma de quadrado para formar uma barreira na frente da vagina, para evitar o contato direto. Muita logística e pouca humanização.

#Ficadica para as pessoas que não entendem as relações sociais como um contexto complexo e cheio de facetas, e como o preconceito está relacionado inclusive à morte dos que sofrem discriminação. E como muitas vezes essas pessoas estatisticamente corretas só acreditam em dados e números, a matéria está rica em estatísticas. Para ninguém dizer que é frescura e paranóia dos politicamente corretos.

terça-feira, 15 de março de 2011

Crítica de filme e de público - Bruna Surfistinha

Uau! Que post enorme!


Há alguns dias comentei por aqui que assisti ao filme “Bruna Surfistinha” e gostei. Pois bem, dias depois do ocorrido, tentarei lembrar porque gostei tanto do filme apesar de tê-lo visto numa sessão terrivelmente barulhenta.


Em primeiro lugar, o filme me interessou por ser baseado num blog que virou livro. Não que existam reais pretensões em ver este bloguinho em prateleiras da Saraiva. É que me fascina a idéia de que pessoas comuns, dos mais variados tipos tenham idéias incríveis e escrevam bem ao ponto de serem publicadas. Acho isso muito legal, ainda mais no contexto brasileiro, que tem uma média de leitura tão baixa.


Em segundo lugar, o filme fala da trajetória de Rachel Pacheco, que aos 16 anos resolveu se tornar garota de programa. Outro tema que me interessa: prostituição.


Lembro da época em que o livro de Rachel, chamado “O doce veneno do escorpião” se tornou muito popular, justamente por ser polêmico. Eu nunca o li, numa tendência um tanto preconceituosa de recusar quase tudo que fosse pop e aparentemente instantâneo (pois é, mudei um pouco e hoje em dia leio até biografia da Lady Gaga. Brincadeira.) Outra razão para me afastar foi o filme pornô de Bruna Surfistinha, que foi lançado na época. Mas ainda tenho curiosidade em ler “O doce veneno…”, e vou esperar até que a onda do filme passe um pouco. O livro deve estar caro no momento.


Mas vamos ao filme. Roteiro muito bem amarrado, fotografia bacana, trilha sonora muito boa. Prostituta viciada em cocaína, abandonada pelos amigos, com saudade da família, triste e na chuva? Toca Radiohead!


Outra coisa: a versatilidade da Deborah Secco. Não em relação à atuação, que eu acho que ela sempre interpreta a mesma coisa, mas à idade. Tantos anos depois e ela ainda consegue parecer a molequinha de Confissões de Adolescente (saudade!) numa cena e virar um mulherão em outra. Há momentos em que ela está numa sala de aula com outros adolescentes e realmente consegue se misturar. Lembra do Murilo Benício interpretando seu clone adolescente? Não era daquele jeito.


Já as cenas de sexo ficaram muito bonitas. Elas são vulgares e divertidas (algumas), mas ao mesmo tempo não são pornográficas, entende? É que é a história de uma prostituta que trabalha num “privê” barato, com clientes dos mais variados tipos e taras. Tinha que ter uma crueza. Mas foram feitas com inteligência e bom gosto, sem parecer tanto com pornochanchada. Mesmo a cena em que Bruna realiza a fantasia de um cliente e urina sobre ele foi feita de forma inteligente e interessante. Talvez aí eu deva um elogio à atuação de Deborah, que parece ter pesquisado muito e dado a devida importância e respeito ao papel.


E mesmo não sendo pornográficas, as cenas ainda causam gritos de euforia nos taradinhos de plantão, e olha que nem todas as cenas de sexo são passíveis de riso. Algumas são violentas, constrangedoras. Alguns colegas de sessão chegavam a “torcer”em algumas partes. Só não me pergunte pra quem torciam. Mesmo em cenas que não eram de sexo, mas eram bastante dramáticas houve que risse e gritasse. Haja paciência.


O primeiro programa que Bruna faz é sofrido, doloroso. Ela só não chora para provar a si mesma que não é criança e que não voltará correndo pra casa. Mas me deu vontade de chorar. Deu nojo também. E me deu muita vontade de sair gritando dentro do cinema com todos aqueles idiotas que faziam piadinhas.


Por que o sofrimento de Rachel Pacheco merece ser banalizado? Talvez porque ela não tenha se tornado Bruna Surfistinha por razões financeiras. Rachel foi adotada por uma família de classe média alta e vivia em condições mais que razoáveis. Estudava em bom colégio e era amada pelos pais adotivos. O que mais uma menina sem família poderia sonhar?


Porém, de acordo com o filme, Rachel se sentia feia, perdida e sem identidade. Sofria bullying na escola e era humilhada pelo irmão mais velho. Uma característica: amava ler e escrever.


Um dia, é seduzida por um colega de classe e quase transa com ele. O garoto fotografa esse “quase“e publica no orkut, gabando-se. No dia seguinte a menina é perseguida na escola, como se a violência do colega já não fosse suficientemente ultrajante.


O episódio cai como uma cereja no bolo. Sentindo-se sozinha e rejeitada, apesar do carinho dos pais, Rachel arruma a mochila e vai se tornar garota de programa, numa tentativa de provar a si mesma que pode ser bonita e dona de si. E aí vale a reflexão sobre a posse de nosso corpo. Até que ponto Bruna Surfistinha é dona de si, e até que ponto não? Mulheres, reflitam!


Mas o contexto de Rachel Pacheco na adolescência pode parecer bobagem aos olhos de alguns. Quer dizer, não merece sensibilidade de ninguém, tem mais é que sofrer mesmo? O que justifica o riso diante de um “quase-estupro”?


Só porque foi fotografada fazendo sexo oral, sem permissão e colocaram foto na Internet vai virar puta? Estupra! Estupra!


Saiu de casa para uma faculdade de respeito usando um vestido curto demais? Estupra! Estupra!


Virou travesti e agora está com medo de pegar HIV? Estupra! Estupra!


Falando sério, para entender essa mentalidade talvez fosse preciso assistir ao filme de novo, bem escondidinha e com total silêncio. Ler o livro, conversar com a própria Rachel, com os doentes e gritadores, com sociólogos, fazer terapia, teses de mestrado, doutorado, pilates...



terça-feira, 1 de março de 2011

Contra risonhos e gritadores


Não sou muito fã de lan houses. Quer dizer, a que tem perto da minha casa até que é bem tranqüila, e seu dono é gentil ao ponto de me devolver meu pen drive nas milhares de vezes em que o deixei conectado a uma das máquinas. Mas a que tem perto da casa do meu namorado, é um inferno. Sempre tem crianças ou adultos que vêm jogar Ragnarok e ficam gritando entre si. Ou adolescentes que vêm em grupo olhar as “fotinhas no orkut” e riem alto, fofocam e gritam bem ao meu lado. E como a Internet cai o tempo todo, não dá para ouvir Rádio Uol ou outro site de músicas. O que me sobra? Ouvir as amostras do Windows Media Player no último volume. As únicas duas amostras.

Quero escrever a crítica do filme Bruna Surfistinha, que assisti com o namorado ontem, mas aqui é completamente sem condições. Fica para depois.

Adianto que gostei muito do filme. Mas deixe para assistir daqui há algumas semanas, quando as salas deverão estar menos lotadas de figuras que gritam e riem alto durante cenas horríveis de quase-estupro. Vontade de jogar 1 litro de refrigerante na cabeça daqueles punheteiros doentes e sem noção. Como alguém ainda pode rir de certas coisas?

Sim, estou de mau humor. Mas ouvindo as mesmas duas músicas há 40min, quem não estaria?

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Para NÃO dirigir bêbad@

Atualizando...

Antes havia aqui um vídeo de humor a respeito de bêbados no trânsito. A postagem foi programada para entrar ontem, e fiz isso antes da morte da pequena Cristal, de apenas 1 ano e 9 meses. A menina estava num carro com motorista embriagado, carteira vencida há anos , em alta velocidade e dirigindo na contramão. Após derrapar, o carro caiu num rio e o bebê ficou 20 minutos submerso.

Após ser resgatada pelos bombeiros a criança lutou pela vida durante 24 horas, mas não resistiu e faleceu.




Estou alterando a postagem porque não há motivos para rir.


sábado, 11 de setembro de 2010

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo... Será?


Desde que explodiu o escândalo do desaparecimento da Eliza Samúdio que meu estômago se revira a cada vez que o assunto é Bruno, Flamengo e companhia (talvez por isso o assunto não tenha aparecido por aqui antes). Quer dizer, menos em relação ao Pet, que ainda não caiu no meu conceito. Vê lá, hein Pet? Se você fizer alguma besteira em fico de luto. Você também, Júlio César. Se bem que no momento a pessoa que merece o luto é a Eliza. E o povo comentando que o Bruno tão jovem, com um futuro tão promissor, acabou com a própria vida com o crime. Hello? Antes de tudo, acabaram com OUTRA vida. A vítima na história é outra.

Pois bem. Para falar no meu desgosto em relação ao Flamengo, preciso desenterrar algumas coisas. Primeiro: Durante todo o primeiro semestre eu estive completamente envolvida com minha monografia, por isso acompanhei poucas notícias. Isso quer dizer que o fato de o Adriano ter se envolvido numa briga com a noiva passou completamente batido. Também passou batido a atrocidade que o imbecil do Bruno disse para defender o companheiro de farras: "Quem aí nunca saiu na mão com a mulher? Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher, xará!". Isso em pleno março, e no dia 8 se não me engano! Meu alarme feminista apitou tanto, mas tanto, que alguns machistas sentiram medinho.

Depois que soube do caso, a saída do Adriano não me pareceu uma má notícia. Mas o que aconteceu também me fez procurar notícias relacionadas ao Bruno e à Eliza (as últimas dizem que ela era atriz pornô. Tenho certeza que a partir disso tem gente dizendo que ela mereceu.), daí fiquei sabendo que ela já havia feito algumas denúncias contra o ex-goleiro e que ele também já havia realizado orgias e sido denunciado por prostitutas que haviam sofrido violência. Ai, ai. E pensar que eu já cheguei até a elogiá-lo por aqui, esta feminista desinformada que vos fala.

Então, Bruno é preso. E eu tentando me convencer que um só jogador não representa o time inteiro (mesmo que seja o capitão). Aí vem o Léo Moura, de quem eu sempre gostei, e diz numa coletiva que "lamenta muito não ter mais esse grande profissional ao nosso lado" (infelizmente não encontrei o link no You Tube).

Deixa eu ver se entendi. Você trabalha com uma pessoa que diz para o Brasil inteiro ouvir que acha natural que exista violência conjugal, xará. Aí a pessoa tem grandes chances de ser a principal culpada de um crime atroz contra a mãe de seu próprio filho (porque eu duvido que ele não seja pai do bebê, infelizmente). E aí você lamenta que não tem mais esse grande profissional ao seu lado????????? Tudo bem que ele tenha sido mandante de um assassinato com requintes de crueldade, o que faz falta mesmo é "profissionalismo". Gente, só um instante que eu vou ali vomitar.

Depois de tanta nojeira, eu ainda não consigo
assistir a um jogo do Flamengo. Até torci contra ele certa vez, mesmo não tendo visto o jogo. E olha que perdeu, pena que não foi de goleada. Fico tentando me convencer de que a linha do time é outra, mas porque tento me iludir? Esse povo do mundo milionário do futebol é movido a cifrões, não a amor pelo time. Tanto que o Bruno foi oficialmente desligado do Flamengo por ter quebrado contrato ao sujar a imagem dos patrocinadores. Não foi por respeito às torcedoras, às mulheres do Brasil ou mesmo pelo fato de a presidente do time ser uma mulher. Não, não. Foi por dinheiro mesmo. E diante de tantos comentários machstas, homofóbicos e violentos que os profissionais insistem em fazer, a CBF continua calada e a Sheryda não sabe se ainda vai querer uma camisa rubro-negra. Mesmo que do Pet.

Fora do tópico: Estou devendo escrever sobre a Feira de Adoção da APATA, que foi no último 28 de agosto e também sobre a viagem que fiz a Camocim no feriado. Os textos ainda não saíram por conta da gripe que me derrubou completamente (este texto sobre o Flamengo já estava pronto) e porque a caderneta onde anotei as coisas da feira ficaram na casa da minha mãe, onde não vou há alguns dias.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Ai, esses jogadores...

Hoje enviei esta mensagem para a CBF, cobrando a responsabilidade pelas declarações ridículas e já insuportáveis de alguns profissionais do esporte. A do Bruno, acho que em março do ano passado, quase me fez rasgar a primeira camisa do Flamengo que estivesse na minha frente. Mande sua mensagem também! Pelo fim dessa cultura machista e violenta!

Quero manifestar meu repúdio quanto às recentes declarações machistas e sexistas de vários jogadores brasileiros como Felipe Melo e Bruno (goleiro do Flamengo), que em 2010 deram declarações à imprensa que minimizavam a importância das mulheres e seus direitos e incitavam a violência contra as mulheres.

Como mulher exijo da CBF que cumpra sua responsabilidade e se retrate publicamente, e também exija desses clubes retratação pública devido a declarações tão irresponsáveis e infelizes de seus jogadores. Mas creio que a responsabilidade da CBF não acaba aí. É necessário que a organização atente para a quantidade de declarações preconceituosas, homofóbicas, violentas e constantes por parte dos profissionais do futebol. Existe uma carência muito grande de educação e discussão com esses profissionais, que acabam utilizando o futebol como instrumento de reprodução de uma cultura preconceituosa e agressiva.

A CBF deve isso a todas as mulheres brasileiras, ligadas ou não à area esportiva,e a todo o restante da sociedade, afinal a cultura de paz é de interesse de todos.


Declaração do Felipe Melo, dizendo que a bola boa é que nem mulher de malandro, que gosta de ser chutada



Bruno do Flamengo (ai, que decepção!) dizendo que é normal "sair na mão com a mulher"





segunda-feira, 1 de março de 2010

Desejos de bailarina...



Encontrei um site que vende acervos em CD e DVDs de espetáculos e documentários relacionados a balé clássico. Nunca comprei nada lá, mas tem uns títulos pelos quais eu me interessei, já que é muito difícil encontrar esse tipo de coisa para vender e eu sou meio incompetente em procurar para baixar. Se alguém aí tiver uma dica eu agradeço!

E aí eu também fiquei DOIDA para ter a biografia da Ana Botafogo, que eu vi para vender no Submarino.

Péssimo momento para desejar comprar coisinhas relacionadas ao balé, que no geral são tão caras...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Desabafo

Perdendo a chance de assistir o Nação Zumbi de graça além de ter perdido Orquestra Imperial ontem. Hoje mesmo Potô e eu deixamos de ir na casa da chefinha fofa dele curtir um pouco com outras pessoas. Tudo porque estou bem apavorada em sair de casa neste carnaval em Fortaleza. E aí quando estamos nos divertindo através de video game, filminhos ou partidas de Clue, simplesmente me vem na cabeça a cara do assaltante que levou minhas coisas, além do famoso "e se eu tivesse reagido?" Depois vem a preocupação pelo prejuízo, e também em como tocar algumas mudanças daqui por diante, e se tais mudanças vão afastar a mim e Potô de nossos sonhos comuns. Essas questões me jogam em transes extremamente irritantes e nesta cidade por vezes horrorosa me sinto atada e sem possibilidade de encaminhar soluções.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Assaltada!

Pois é, eu era virgem quando se diz respeito a essa experiência tão comum nos dias de hoje. Nunca tinha sido abordada diretamente e sofrido tal violência. O máximo que aconteceu foi ter a mochila aberta sem perceber no meio de muita gente e muito tempo depois sentir falta de algo. Mas a figura chegar gritando para tomar as coisas mesmo, como ontem, nunca tinha acontecido.
E eu, distraída e preocupada com mil problemas, tinha coisas demais na bolsa, distraída demais, num lugar deserto demais e sozinha. Tudo isso na Leste Oeste, avenida clássica aqui em Fortaleza e para piorar, em pleno carnaval. Ou seja, vacilei.
E como em quase todo testemunho de assalto, o cara saiu sei lá de onde "pedindo" a bolsa, pegou o que queria sem me machucar (não havia arma, tenho certeza), saiu com o companheiro na bicicleta e eu fiquei lá sem ação. Quer dizer, alguns segundos depois me toquei do que havia acontecido e tudo que consegui fazer foi gritar "joga só a agenda!". Mas o cara nem fez isso, saiu na moral montado de ladinho no quadro da bike do amiguenho dele.
Mais tarde recebi um telefonema de alguém que havia encontrado parte das minhas coisas e meu pai foi lá pegar. E recuperei todos os cartões já bloqueados, a (bendita) agenda, carteira de estudante (ufa!), carteira de identidade (ufa!), uma blusa suja (os caras levaram uma calcinha suja!) e alguns cartões de visita. E adeus celular, pen drive, MP4, parte da minha dignidade e sossego, bom humor, bolsa com maquiagens e esmaltes e um pouco mais de um terço da pouca grana que eu tinha.
Mas preferi não reagir porque acho que não vale a pena me arriscar por objetos materiais. E também porque eu estava boquiaberta demais pra fazer qualquer coisa. Mas de ontem pra hoje sonhei que quando os caras me deram as costas eu fui por trás, derrubei os dois da bicicleta, peguei minha bolsa e ainda roubei a bike deles. rs! Em meus sonhos, eu sou mó barra pesada!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Memórias amargas

Lendo hoje o blog da Lola, num guest post onde uma leitora conta a terrível tentativa de abuso sexual que sofreu do pai, uma ira e também uma intensa vontade de desabafar tomou conta de mim. Toda mulher tem uma história parecida para contar. Pode não ser tão extrema assim, tão violenta, mas toda mulher já foi seguida, assediada num ônibus lotado ou mesmo foi vítima de mão-boba em festas. E isso desde a infância, passando pela adolescência até os dias de hoje.

E aí quando a gente para pra pensar as lembranças vem à tona. E no meu caso... ódio. Sim, é péssimo dizer isso, dá até um pouco de vergonha, porque se trata realmente de um sentimento péssimo. Mas não consigo deixar de sentí-lo, juntamente com mágoa e revolta. Ódio por ter sofrido tentativa de abuso aos 13 anos por um primo adulto que já tinha um filho, e muito mais por a família toda saber e ainda assim permitir o convívio normal do canalha com todos. Por meu pai mesmo tendo dado um escândalo (depois de colocar a culpa em mim pelo ocorrido, tendo se desculpado depois), ainda falar com ele, como se nada houvesse acontecido. Ódio por até hoje sentir uma imensa vontade de enfiar um belo murro bem no meio da cara dele, gritar para todos os conhecidos na rua que se trata de um marginal, que protejam suas crianças e ter o prazer de expulsá-lo de algum lugar. Ódio por não poder fazer nada disso, pois sei que não teria o apoio da família e ainda levaria fama de quem procura confusão, por lembrar uma coisa que aconteceu há 10 anos atrás.

Também lembro de um irmão desse meu primo (pois é, bela ninhada) ter deixado a ex-esposa de olho roxo por mais de duas semanas e minha família paterna e machista ter se reunido em volta da mesa dando razão a ele. E lembro de ter feito um escândalo imenso e ter levado bronca por isso. Mas eu, já feminista que era, não pude me calar. E gritei ao meu pai que era uma vergonha que o pai de três filhas desse razão a um marginal que batesse na esposa. E que se um dia eu passasse por esse problema sabia que não poderia contar com a ajuda dele.

E porque não falar do meu próprio pai, que bateu várias vezes na minha mãe e até a proibia de tirar a sobrancelha, sair de casa, pintar os cabelos pois isso era coisa de "puta"? E para nós posava de pai herói, muito digno e esperando que minha mãe colocasse o prato dele (como até hoje faz com a atual companheira, praticamente uma escrava do lar). Talvez eu não sinta tanta raiva porque sei que um dia minha mãe revidou e deu-lhe também uma bela surra, uma cena que hoje eu penso que adoraria ter visto. E hoje olho para o meu pai com uma mistura de amor e nojo, por saber que homens como ele deveriam estar na cadeia por baterem nas esposas. Mas como é difícil e doloroso desejar justiça para uma pessoa que se ama. Mas ainda assim meu sentimento feminista não afasta essa idéia, mesmo tendo se passado tantos anos. Porque uma coisa que os homens que violentam suas famílias não pensam é que a memória das crianças não passa. É algo que elas carregarão sempre, mesmo que só entendam o que aconteceu décadas depois. Não importa o que meu pai tenha feito de bom para mim, essa mancha nunca será apagada. Como mulher eu não posso permitir que ela se apague jamais.

E são tantos outros os personagens asquerosos com os quais compartilho o sangue. Um avô praticamente assassino desses que empunham a Bíblia, tios que ameaçam as esposas e irmãs (entre elas minha mãe), e por aí vai. Mas se há mais de duas décadas as mulheres da minha família resistiram, sei que as próximas gerações resistirão ainda mais. Porque se eu tenho vergonha de ter o sangue de alguns crápulas, ao mesmo tempo me orgulho de carregar o sangue de mulheres guerreiras que lutaram como puderam contra seus agressores. Muitas até conseguiram se livrar deles, afastá-los da própria vida. E sei que as crias femininas dessas gerações pretendem construir convivências mais igualitárias e educar os filhos de uma forma para que tais violências não se repitam de novo. E se um dia eu passar por algo do tipo, espero conseguir vencer o medo e correr atrás de justiça. E também espero nunca parir um canalha.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Tem dias que eu fico pensando na vida...

Dia desses estávamos vendo TV, quando pedi para o Potô falar mais baixo porque estava passando Viver a Vida e alguma coisa babado estava acontecendo. Aí o benhê olhou pra mim e disse: Tu mete o pau no cara mas curte, né?

O cara em quem eu meto o pau, a quem Potô se referia é o Manoel Carlos. Ou Maneco, que é
como os mais íntimos ou atores e outros profissionais que tiveram a chance de fazer várias novelas com ele o chamam. E porque eu desço o pau nele? Porque acho suas novelas absolutamente cretinas, machistas e preconceituosas. Os diálogos em sua maioria são bizarros e suas polêmicas fraquinhas. Se ele cria uma historinha para dar lição de moral na sociedade, no restante da novela tudo se contradiz e a tal lição vai por água abaixo. Todo mundo nas novelas é rico, até quem é pobre (só eu tenho essa impressão?) e os
pobres vivem em função dos ricos. Na verdade, isso ocorre em todas as novelas da Globo, né? Os empregados não têm vida própria. Vivem para observar e dar palpite na vida dos patrões. Acho que só vejo empregado de novela ter vida própria em Malhação, porque os filhos dos empregados ganham bolsas de estudo no colégio onde a história se passa e acabam se tornando
personagens ativos na trama, não apenas figurantes ou aquele que
só aparece para atender ao telefone. “Olha seu fulano, é a dona fulana no telefone, que que eu digo pra ela?”

E da mesma forma que até quem é pobre é rico, até quem vive uma barra na vida parece viver melhor que a gente! A Luciana, feita pela linda Aline Moraes, não tem os movimentos do pescoço para baixo (parece que agora começa a recuperá-los) e vive na praia. A família dela (principalmente a mãe, já que a maioria das mulheres ricas da novela são sustentadas pelos maridos) tem todo o tempo do mundo para passear com ela pelas ruas elitistas do Leblon, fazer
ensaios fotográficos, compras, etc. Não tô dizendo que o certo seria deixar a menina mofando no quarto, claro que não. Mas não é surreal que ninguém na casa trabalhe, e ainda assim possa usufruir de tanto luxo? Porque gente comum, pelo que eu saiba, se sofre uma barra dessas tem que se desdobrar com o tempo para pagar tratamento, conseguir transporte apropriado para
deficientes físicos e um monte de outras dificuldades. Ou será que a pensão que o novo personagem machista e asqueroso do José Mayer paga é tão milionária assim? Dá para sustentar
ele, a “primeira Helena negra”, lua de mel de três meses em Paris, a casa enorme onde
eles moram, mais os luxos e o tratamento da Aline Moraes, suas duas irmãs ricas e a ex-esposa e modelo? E ele ainda quer que a primeira Helena negra pare de trabalhar, viu? Vai ser o provedor, oficialmente! Outra coisa, se a Taís Araújo é a primeira Helena negra, porque diabos o Roberto Carlos fica cantando que a “mulher que eu amo tem a pele morena”? Pô gente, demora taaanto para por uma personagem principal preta e ainda erra na trilha sonora e na definição de sua cor? Mas talvez seja melhor que dizer que ela é da cor do pecado, né? Algo me diz que a Taís Araújo tem vontade de dizer uns bons palavrões com certas pessoas nessas horas.

E quanto aos diálogos bizarros? Não sei se alguém já notou, mas no meio da conversa entre os personagens, parece que baixa o Manuel Carlos e alguém faz um looongo discurso sobre as memórias da infância, coisas que os pais ou avós diziam e também sobre como homens e mulheres são. Quando estou assistindo parece que já vem um negócio e eu sinto que senta que lá vem o Manuel Carlos! A da semana passada foi quando um pai brigava com o filho mau humorado gêmeo e engenheiro (ou arquiteto, não lembro) e a mãe dele assistia desesperada à cena. Aí quando o pai levanta a mão para meter o bofete na cara do rapaz, a mãe dele grita: Não agrida seu filho!!! E enquanto pai e filho baixam os olhos sofridos e envergonhados, ela discursa aos prantos que quando era criança uma vez o pai dela bateu em um de seus irmãos e a relação entre eles nunca mais foi a mesma. “Porque a mãe pode bater em um filho, mas um pai não, pois
as coisas nunca mais poderão voltar ao normal”. E aí ela chorou, chorou, veio a bossa nova e os comerciais. E eu lá, boquiaberta com a doidice.

E quem foi que disse que o Manuel Carlos entende a alma feminina pelamordedeus? Não precisa comentar muito sobre essa estupidez, né? Acho que quem fica repetindo que ele conhece nossa “essência” com certeza não é mulher ou está sendo pago para dizer isso.

Ta bem, mas se eu detesto tanto, porque faço “shhhh” pro povo se eu estiver assistindo? Estive pensando sobre isso e acho que encontrei algumas razões:

As novelas dele são incrivelmente bonitas, leves e fantasiosas. Um pouquinho de diálogo, romance e drama, música boa e paisagens lindas. Além da aparência super confortável que todos levam. Passeando e rindo no calçadão, entrando no mar, viajando, tomando drinques na piscina... Tudo parece tão bom que dá até vontade de viver a vida dos outros. Quer dizer, exceto as das empregadas que são assediadas sexualmente pelos patrões e ainda são pintadas de gostosas fatais sem-vergonha e depois morrem no final.

Não precisa assistir tudo para entender o que está acontecendo. A trama acontece num ritmo estático e previsível. Não é como nas novelas das sete, cheias de núcleos e personagens que armam mil coisas, trocam de núcleos, traem e casam várias vezes. Tenho dificuldade e baixo Q.I. para entender esse tipo de trama. Igual com filme de assalto milionário ou de esquemas políticos. São aqueles que chamo “filmes cheios de nomes”. Tipo “Onze homens e um segredo”. Com o Maneco não. Você sabe que existe uma mentira que será revelada mais cedo ou mais tarde e só. Alguém vai levar um tapa durante um confronto muito esperado. E só. Fora isso é paisagem e bossa nova. Posso passar semanas inteiras sem ver a novela que sei que não vou perder o fio da meada. Ou seja: é entretenimento e alienação sem compromisso!

Viver a Vida tem atores que gosto. Gosto da Aline Moraes, Bárbara Paz (desde o tempo da Casa dos Artistas rs!), Taís Araújo e Lilia Cabral. Esse rapaz que está interpretando gêmeos é simplesmente genial! Parecem até dois atores diferentes! Impressionante.

A novela fala bem pouquinho de fotografia e moda. As
personagens principais (Helena e Luciana, creio eu) são modelos e como sinto atração por moda, me sinto atraída pelo universo supérfluo e também pelos estilos das duas. Também tem uns personagens fotógrafos cheios de tempo e equipamento caro para tirar fotos até abusar. E eu sonhando capitalisticamente com minha câmera e um emprego onde eu trabalho quando e onde quiser, cheia de dinheiro, roupas lindas, conversas idiotas, Chico Buarque... Mas o galã cafajeste e a violência contra a mulher eu dispenso, tá?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Não foi só com a Alanis

Quem mora em Fortaleza querendo ou não está sabendo da garota de 5 anos que foi raptada, estuprada e morta há uma semana. Para quem não sabe ou não mora em Fortaleza, vou contar o que houve (e por isso o post ficou tão grande). Alanis Maria estava com a família numa igreja do bairro Conjunto Ceará. Enquanto os fiéis se cumprimentavam durante o “abraço da paz”, um homem a levou do lugar e desapareceu. Nas horas seguintes a família da menina promoveu uma intensa mobilização no bairro, espalhando fotografias e dividindo-se em grupos para buscas juntamente com a polícia.

A mobilização da comunidade chamou a atenção da imprensa local que também divulgou as fotos da menina e fez com que a cidade acompanhasse de perto o que estava acontecendo. No dia seguinte por volta das 17:00, o corpo da menina foi encontrado num terreno próximo a um canal no bairro Antônio Bezerra. Por coincidência eu estava lá nesse dia, pois o Potô mora a poucos metros do local. Depois que cheguei da escola onde estou lecionando (depois conto mais sobre isso), percebi a intensa movimentação de helicópteros e as pessoas se aglomerando na rua. Ele não estava em casa na hora, tinha ido a uma locadora com o sobrinho, por isso eu e a sogra ficamos nervosas já que não sabíamos o que estava acontecendo. Depois veio a notícia de que a criança havia sido encontrada. Chegamos inclusive a ouvir que ela ainda estava viva, o que não é verdade de acordo com as matérias que venho acompanhando. Ao contrário dos curiosos que foram ao local ver o cadáver ou mesmo a movimentação, Potô e eu ficamos em casa tentando pensar em outras coisas para afastar a sensação horrível que tomou conta de todos na comunidade.

Antes de ontem o suspeito (na verdade ele já confessou) foi preso (juro!) e a polícia vem tentando protegê-lo de um linchamento, pois desde que o corpo da criança foi encontrado uma multidão cobra por justiça (ou vingança?) na frente da delegacia do bairro e arremessa pedras contra viaturas onde o suspeito possa estar. A propósito, o acusado já tem antecedentes de estupro, mas estava em liberdade.

O caso de Alanis Maria não sai da boca dos fortalezenses e nem da pauta dos jornais da cidade. Alguns desses, sensacionalistas que são, fazem discursos longos, temperados e esgotam o assunto até onde não dá mais. O velório da menina e o enterro pareciam assim, quando um artista morre. A missa de sétimo dia, realizada ontem à noite, tinha tanta gente que não coube todo mundo na igreja.

Aí eu tava pensando...

Desde que tudo isso começou eu venho observando a reação e os comentários das pessoas. Todo mundo horrorizado, revoltado e muito triste pelo que aconteceu e sempre chegando e dizendo “como é que um cara faz um negócio desses com uma criança...” Mas o que mais ouvi mesmo foram as pessoas dizendo o quanto a Alanis era linda. “Loirinha do olho verde, coisa mais fofa.”
Não me leve a mal. Não estou dizendo que é ruim que a população esteja revoltada e sensibilizada com o assunto. Isso é muito bom, pois abre um pouco de espaço para um debate que precisa ser travado constantemente. O meu questionamento é: por que as pessoas não ficam assim em TODOS os casos de abuso sexual, estupro e outras violências envolvendo crianças e adolescentes? Quase todos os dias saem notícias nos jornais falando de abuso sexual dentro da própria família, cometidos pelos próprios pais muitas vezes. Mas são notícias pequenas, muitas não ultrapassam nem uma pequena coluna no canto inferior da página. Mas quando acontece com uma menina loirinha de olho verde, coisa mais fofa, aí a gente se revolta, é isso? E as outras? Porque isso não aconteceu só com a Alanis. A família dela não foi a única que sofreu com esse tipo de crime bárbaro nas últimas semanas.

Não sei se a sensibilidade das pessoas está diretamente ligada à cor da pele da criança. Mas a verdade é que esse tipo de crime é muito comum e constantemente praticado contra crianças negras, que estão em situação de rua ou sofrem os abusos em casa mesmo. É difícil não pensar no filme Tempo de matar quando o advogado de defesa do homem que matou os estupradores de sua filha (toda a família é preta inclusive a vítima. Já os estupradores são brancos) narra como todo o estupro aconteceu. Diante de um júri emocionado, o advogado diz: agora imaginem que a menina é branca. Acho incrível como o olhar dos jurados muda, perplexos. Porque sim, a cor muda o olhar da gente. Acho que isso não dá para negar. Se não deu para entender, recomendo ver o filme que é muito bom e baseado em fatos reais.

Mas voltando à questão da superficialidade das pessoas. Lembro da vez em que fui a um debate a respeito de exploração sexual contra crianças e adolescentes. Uma pessoa acolá (que acha uma perda de tempo se envolver nessas besteiras de movimento social) disse que era uma perda de tempo, que tinha umas meninazinhas aí que até gostavam, que eram sem-vergonha. Essa senhora, quando assiste a alguns programas policiais mostrando garotas exploradas sexualmente fica dizendo que elas são safadas e não sei o que mais. E agora tava aí querendo ir ao velório da Alanis, uma menina que ela nem conhecia. Queria “prestar solidariedade à família.” Mas tem que ver que a pobre menina foi obrigada a ir, né? Essas outras aí sofrem não, acham até bom. Se vão porque querem não é violência. Nojo, nojo, nojo.

E vem jornal-circo dizer que precisamos proteger nossas crianças. Os mesmos que identificam constantemente na TV vítimas de abuso sexual ou mesmo mostram as imagens de adolescentes infratores, violando o Estatuto da Criança e do Adolescente que (vejam só!) foi criado exatamente para proteger nossas crianças. Reclamam em seus pequenos auditórios dessas pessoas que “querem proteger os pequenos marginais privando a sociedade de conhecê-los e usam a censura para barrar o trabalho dos comunicadores.”

Sejamos francos. Nossa sociedade não quer proteger as crianças. Algumas pode até ser, mas não todas. Porque se a gente quisesse de verdade proteger a todas elas, as mobilizações seriam intensas constantemente, o assunto jamais sairia das pautas jornalísticas e a polícia agiria rápido sempre. Essa pressão popular que é fundamental para concretizar mudanças, não se limitaria a acontecimentos como este que por alguma razão parece mais atrativo e emocionante do que outras centenas. Acho que por o acompanhamento da imprensa ter acontecido desde o início, deixando as pessoas ansiosas por um desfecho. Como se estivessem assistindo a uma novela. Uma pena que a mobilização estruturante seja apenas factual e limitada e seja tratada como mais um drama da vida real a ser esquecido em pouco tempo, juntamente com outros milhares de casos.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Fim de semana de alegrias e tristezas

Eu estava muito otimista em relação ao jogo de ontem do Mengo contra o Grêmio no Maracanã. Tanto que até já pensava em como comemoraria a vitória rubro-negra aqui no blog. Mas logo no sábado pela manhã, ao chegar em casa após uma cobertura na Faculdade, uma notícia deixou o fim de semana mais triste.
A jornalista Kersia Porto, 29 anos, assessora de imprensa do Comando da Polícia Militar aqui em Fortaleza e também jornalista da TV Assembléia, foi a 117ª mulher assassinada no Ceará. De acordo com notícias publicadas na imprensa, a informação é de que seu marido, o sargento da Polícia Militar Francisco Antônio de Lima Amorim, 33, efetuou vários disparos contra a jornalista, dando um tiro na própria boca em seguida. Eles eram casados há cerca de um ano e de acordo com algumas notícias que li, amigos do casal afirmaram que ele era bastante ciumento. Já alguns amigos do sargento afirmaram que ele era bastante tranquilo e nunca notaram reações violentas por parte dele.
Não conhecia a jornalista, mas cheguei a conversar com ela algumas vezes durante o estágio na TV Fortaleza este ano. Lembro de ter feito algumas pautas sobre a PM e por isso falei com a assessora. E é interessante como sua morte deixa uma tristeza diferente, acho que por ser colega de profissão. E mulher, é claro. Esses pontos em comum fazem com que haja uma identificação, tipo de se sentir mais próximo.
E o pior é que Kersia não foi a única neste fim de semana. De acordo com o jornal O Povo, em 2009 pelo menos 124 mulheres foram assassinadas no Ceará. Muitas delas foram vítimas do chamado "crime passional", ou seja, motivado por ciúmes, machismo e outras doenças alimentadas por esta sociedade do patriarcado.
Quer dizer, as mulheres morrem porque seus companheiros (e raras vezes companheiras) acham que a mulher não tem direito a sair, se relacionar com outras pessoas, etc. Motivos banais e fruto de uma cultura que associa amor à posse. E ainda tem gente que acha que dá para brincar com isso.
Quanto ao Flamengo ser campeão brasileiro eu realmente estou muito feliz, apesar de toda a violência entre torcidas e entre flamenguistas que embaçaram a festa do futebol. O Flamengo conquista o título pela 6ª vez após 17 anos e realmente é motivo para muita comemoração rubro-negra. Eu mesma acompanhei a vitória vibrando com o namorado e espero que seja apenas o 1º de muitos títulos que presenciaremos juntos.
Quanto ao contraste entre as notícias deste fim de semana, como mulher e flamenguista, meu placar fica assim: 124 pontos para a tristeza e revolta, 6 para a alegria.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Idiota

E aí chega um cara me dizendo que as feministas protestando na praça são um bando de "revoltadinhas" e que mulher "merece é levar chibata mesmo".

E eu tenho que ser simpática porque ele tava só brincando?

Na-na-ni-na-não.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Ética e Censura - Qual é a mais temida?

Um caso que tem sido bastante comentado ultimamente é o do latrocínio (roubo seguido de morte) cometido contra um coordenador do Afro Reggae no Rio de Janeiro. Logo após cometerem o crime, os dois ladrões foram abordados por uma dupla de policiais que estavam numa viatura, e tiveram o produto do assalto "roubado" pelos policiais (sabe como é, ladrão que rouba ladrão) e foram liberados. Já os dois policiais passaram pela vítima e a deixaram no chão agonizando, além de jogarem a arma usada pelos bandidos numa lixeira próxima.

O que as criaturas não sabiam é que câmeras de segurança na rua e de uma agência de banco registraram TUDO o que aconteceu. E assim como eu adoro quando um homem rico e famoso é preso por bater na companheira ou por não pagar pensão, também adoro quando alguém faz uma besteira e tem uma câmera filmando tudo. Nesse caso, mais de uma.

Agora vamos linkar esse acontecimento recente com outro que aconteceu aqui no Ceará.
Aqui no estado temos muitos desses programas policiais carniceiros e sensacionalistas. Alguns inclusive são apresentados por vereadores e deputados estaduais. Pois é.

Então, há mais ou menos um mês, três delegados foram exonerados pelo Secretário de Segurança Pública por exibirem acusados (e não condenados) para esse tipo de imprensa. E isso contra a vontade dos presos, que muitas vezes tentavam esconder o rosto com camisetas ou tentavam se esconder das lentes.

Por causa disso, uma polêmica foi criada. Principalmente por apresentadores desse tipo de programa, que inclusive costumam exibir também menores de idade infratores ou que foram vítima de abuso ou exploração sexual. Mesmo isso ferindo o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Alguém adivinha o que os apresentadores começaram a dizer em seus programas? Que essa decisão fere a liberdade de imprensa (é um povo que enche os jornalistas éticos de vergonha e qualquer coisinha já clamam pela liberdade de imprensa) e que o cidadão tem direito de saber quem comete crimes para se proteger.

Sobre o primeiro argumento, faça-me o favor. Odeio essa doença que alguns jornalistas (formados ou não) tem de dizer que qualquer exigência já é censura. Francamente. Muitas vezes nada mais é do que uma exigência de que se cumpra a lei e até mesmo o código de ética dos Jornalistas, mas até parece que todo mundo tem que dizer amém para tudo que a imprensa faz. Senão o povo é taxado de tirano, déspota e censurador. Na verdade, essa coisa de clamar pela liberdade de imprensa e contra a censura muitas vezes não passa de manipulação, de quem quer usar os meios de comunicação em favor próprio. Porque ninguém clama pela ética, né? Mas liberdade de imprensa TODO MUNDO QUER.

Quanto a dizer que o cidadão tem direito de saber quem comete as barbaridades, é aí que linkamos com o caso no Rio de Janeiro. Acontece que assim como em outros casos envolvendo policiais, nenhum veículo televisivo divulgou o nome dos PMs que roubaram os ladrões e deixaram a vítima agonizando. Pelo menos não que eu tenha visto.

As câmeras filmaram tudo, os policiais foram punidos (pelo menos é o que dizem) e mesmo assim, ninguém disse o nome deles ou mostrou fotos.

Mas aí, eis que prendem um suspeito de ser um dos assaltantes. Ontem assisti a uma matéria sobre isso e a repórter disse o nome completo dele e a idade! Só faltou dar o endereço, telefone, MSN e Orkut pra gente adicionar. Na mesma matéria, quando fazia uma suíte (lembrar o caso desde o início) ela disse "dois policiais" ao invés de identificá-los. E um detalhe é que o reconhecimento ainda não tinha sido feito, ou seja, ainda não era provado que era mesmo aquele homem quem cometeu o crime.

E aí eu me pergunto por que a imprensa não faz questão de identificar essas pessoas "poderosas". Não contestam a decisão de proteger policiais corruptos e nem levantam a bandeira contra a censura. E se nós temos o direito de saber quem são aqueles que cometem crimes, que garantia temos de que tais policiais foram afastados do serviço? Porque francamente, eu não queria um sujeito desses fazendo a segurança do meu bairro nem de graça.

Interessante também é pensar que os delegados por aqui diziam que não eram eles quem exibiam os presos para a imprensa marrom. Mas não são os delegados os responsáveis pelo que acontece em suas delegacias? E porque a imprensa não consegue mostrar da mesma forma os criminosos pobres e aqueles que tem grana para pagar advogado?

São muitas dúvidas mas algo nos impede de ter as respostas. Deve ser a censura.




Após escrever o post, dei uma pesquisada na Internet e encontrei uma matéria onde os policiais são identificados. Parece que na Internet é uma coisa, na TV é outra.