sexta-feira, 1 de julho de 2011
25 anos: sonhos, sangue e América do Sul
terça-feira, 26 de abril de 2011
Quem tem medo de ser fashion?




quinta-feira, 14 de abril de 2011
Bandido solto, skate preso
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Preconceito afeta saúde de mulheres lésbicas e bissexuais
terça-feira, 15 de março de 2011
Crítica de filme e de público - Bruna Surfistinha

Há alguns dias comentei por aqui que assisti ao filme “Bruna Surfistinha” e gostei. Pois bem, dias depois do ocorrido, tentarei lembrar porque gostei tanto do filme apesar de tê-lo visto numa sessão terrivelmente barulhenta.
Em primeiro lugar, o filme me interessou por ser baseado num blog que virou livro. Não que existam reais pretensões em ver este bloguinho em prateleiras da Saraiva. É que me fascina a idéia de que pessoas comuns, dos mais variados tipos tenham idéias incríveis e escrevam bem ao ponto de serem publicadas. Acho isso muito legal, ainda mais no contexto brasileiro, que tem uma média de leitura tão baixa.

Em segundo lugar, o filme fala da trajetória de Rachel Pacheco, que aos 16 anos resolveu se tornar garota de programa. Outro tema que me interessa: prostituição.
Lembro da época em que o livro de Rachel, chamado “O doce veneno do escorpião” se tornou muito popular, justamente por ser polêmico. Eu nunca o li, numa tendência um tanto preconceituosa de recusar quase tudo que fosse pop e aparentemente instantâneo (pois é, mudei um pouco e hoje em dia leio até biografia da Lady Gaga. Brincadeira.) Outra razão para me afastar foi o filme pornô de Bruna Surfistinha, que foi lançado na época. Mas ainda tenho curiosidade em ler “O doce veneno…”, e vou esperar até que a onda do filme passe um pouco. O livro deve estar caro no momento.
Mas vamos ao filme. Roteiro muito bem amarrado, fotografia bacana, trilha sonora muito boa. Prostituta viciada em cocaína, abandonada pelos amigos, com saudade da família, triste e na chuva? Toca Radiohead!

Outra coisa: a versatilidade da Deborah Secco. Não em relação à atuação, que eu acho que ela sempre interpreta a mesma coisa, mas à idade. Tantos anos depois e ela ainda consegue parecer a molequinha de Confissões de Adolescente (saudade!) numa cena e virar um mulherão em outra. Há momentos em que ela está numa sala de aula com outros adolescentes e realmente consegue se misturar. Lembra do Murilo Benício interpretando seu clone adolescente? Não era daquele jeito.
Já as cenas de sexo ficaram muito bonitas. Elas são vulgares e divertidas (algumas), mas ao mesmo tempo não são pornográficas, entende? É que é a história de uma prostituta que trabalha num “privê” barato, com clientes dos mais variados tipos e taras. Tinha que ter uma crueza. Mas foram feitas com inteligência e bom gosto, sem parecer tanto com pornochanchada. Mesmo a cena em que Bruna realiza a fantasia de um cliente e urina sobre ele foi feita de forma inteligente e interessante. Talvez aí eu deva um elogio à atuação de Deborah, que parece ter pesquisado muito e dado a devida importância e respeito ao papel.
E mesmo não sendo pornográficas, as cenas ainda causam gritos de euforia nos taradinhos de plantão, e olha que nem todas as cenas de sexo são passíveis de riso. Algumas são violentas, constrangedoras. Alguns colegas de sessão chegavam a “torcer”em algumas partes. Só não me pergunte pra quem torciam. Mesmo em cenas que não eram de sexo, mas eram bastante dramáticas houve que risse e gritasse. Haja paciência.
O primeiro programa que Bruna faz é sofrido, doloroso. Ela só não chora para provar a si mesma que não é criança e que não voltará correndo pra casa. Mas me deu vontade de chorar. Deu nojo também. E me deu muita vontade de sair gritando dentro do cinema com todos aqueles idiotas que faziam piadinhas.
Por que o sofrimento de Rachel Pacheco merece ser banalizado? Talvez porque ela não tenha se tornado Bruna Surfistinha por razões financeiras. Rachel foi adotada por uma família de classe média alta e vivia em condições mais que razoáveis. Estudava em bom colégio e era amada pelos pais adotivos. O que mais uma menina sem família poderia sonhar?

Porém, de acordo com o filme, Rachel se sentia feia, perdida e sem identidade. Sofria bullying na escola e era humilhada pelo irmão mais velho. Uma característica: amava ler e escrever.
Um dia, é seduzida por um colega de classe e quase transa com ele. O garoto fotografa esse “quase“e publica no orkut, gabando-se. No dia seguinte a menina é perseguida na escola, como se a violência do colega já não fosse suficientemente ultrajante.

O episódio cai como uma cereja no bolo. Sentindo-se sozinha e rejeitada, apesar do carinho dos pais, Rachel arruma a mochila e vai se tornar garota de programa, numa tentativa de provar a si mesma que pode ser bonita e dona de si. E aí vale a reflexão sobre a posse de nosso corpo. Até que ponto Bruna Surfistinha é dona de si, e até que ponto não? Mulheres, reflitam!
Mas o contexto de Rachel Pacheco na adolescência pode parecer bobagem aos olhos de alguns. Quer dizer, não merece sensibilidade de ninguém, tem mais é que sofrer mesmo? O que justifica o riso diante de um “quase-estupro”?
Só porque foi fotografada fazendo sexo oral, sem permissão e colocaram foto na Internet vai virar puta? Estupra! Estupra!
Saiu de casa para uma faculdade de respeito usando um vestido curto demais? Estupra! Estupra!
Virou travesti e agora está com medo de pegar HIV? Estupra! Estupra!
Falando sério, para entender essa mentalidade talvez fosse preciso assistir ao filme de novo, bem escondidinha e com total silêncio. Ler o livro, conversar com a própria Rachel, com os doentes e gritadores, com sociólogos, fazer terapia, teses de mestrado, doutorado, pilates...
terça-feira, 1 de março de 2011
Contra risonhos e gritadores
Quero escrever a crítica do filme Bruna Surfistinha, que assisti com o namorado ontem, mas aqui é completamente sem condições. Fica para depois.
Adianto que gostei muito do filme. Mas deixe para assistir daqui há algumas semanas, quando as salas deverão estar menos lotadas de figuras que gritam e riem alto durante cenas horríveis de quase-estupro. Vontade de jogar 1 litro de refrigerante na cabeça daqueles punheteiros doentes e sem noção. Como alguém ainda pode rir de certas coisas?
Sim, estou de mau humor. Mas ouvindo as mesmas duas músicas há 40min, quem não estaria?
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Para NÃO dirigir bêbad@
Antes havia aqui um vídeo de humor a respeito de bêbados no trânsito. A postagem foi programada para entrar ontem, e fiz isso antes da morte da pequena Cristal, de apenas 1 ano e 9 meses. A menina estava num carro com motorista embriagado, carteira vencida há anos , em alta velocidade e dirigindo na contramão. Após derrapar, o carro caiu num rio e o bebê ficou 20 minutos submerso.
Após ser resgatada pelos bombeiros a criança lutou pela vida durante 24 horas, mas não resistiu e faleceu.
Estou alterando a postagem porque não há motivos para rir.
sábado, 11 de setembro de 2010
Uma vez Flamengo, sempre Flamengo... Será?



sexta-feira, 4 de junho de 2010
Ai, esses jogadores...
segunda-feira, 1 de março de 2010
Desejos de bailarina...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Desabafo
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Assaltada!
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Memórias amargas
Lendo hoje o blog da Lola, num guest post onde uma leitora conta a terrível tentativa de abuso sexual que sofreu do pai, uma ira e também uma intensa vontade de desabafar tomou conta de mim. Toda mulher tem uma história parecida para contar. Pode não ser tão extrema assim, tão violenta, mas toda mulher já foi seguida, assediada num ônibus lotado ou mesmo foi vítima de mão-boba em festas. E isso desde a infância, passando pela adolescência até os dias de hoje.E aí quando a gente para pra pensar as lembranças vem à tona. E no meu caso... ódio. Sim, é péssimo dizer isso, dá até um pouco de vergonha, porque se trata realmente de um sentimento péssimo. Mas não consigo deixar de sentí-lo, juntamente com mágoa e revolta. Ódio por ter sofrido tentativa de abuso aos 13 anos por um primo adulto que já tinha um filho, e muito mais por a família toda saber e ainda assim permitir o convívio normal do canalha com todos. Por meu pai mesmo tendo dado um escândalo (depois de colocar a culpa em mim pelo ocorrido, tendo se desculpado depois), ainda falar com ele, como se nada houvesse acontecido. Ódio por até hoje sentir uma imensa vontade de enfiar um belo murro bem no meio da cara dele, gritar para todos os conhecidos na rua que se trata de um marginal, que protejam suas crianças e ter o prazer de expulsá-lo de algum lugar. Ódio por não poder fazer nada disso, pois sei que não teria o apoio da família e ainda levaria fama de quem procura confusão, por lembrar uma coisa que aconteceu há 10 anos atrás.
Também lembro de um irmão desse meu primo (pois é, bela ninhada) ter deixado a ex-esposa de olho roxo por mais de duas semanas e minha família paterna e machista ter se reunido em volta da mesa dando razão a ele. E lembro de ter feito um escândalo imenso e ter levado bronca por isso. Mas eu, já feminista que era, não pude me calar. E gritei ao meu pai que era uma vergonha que o pai de três filhas desse razão a um marginal que batesse na esposa. E que se um dia eu passasse por esse problema sabia que não poderia contar com a ajuda dele.
E porque não falar do meu próprio pai, que bateu várias vezes na minha mãe e até a proibia de
tirar a sobrancelha, sair de casa, pintar os cabelos pois isso era coisa de "puta"? E para nós posava de pai herói, muito digno e esperando que minha mãe colocasse o prato dele (como até hoje faz com a atual companheira, praticamente uma escrava do lar). Talvez eu não sinta tanta raiva porque sei que um dia minha mãe revidou e deu-lhe também uma bela surra, uma cena que hoje eu penso que adoraria ter visto. E hoje olho para o meu pai com uma mistura de amor e nojo, por saber que homens como ele deveriam estar na cadeia por baterem nas esposas. Mas como é difícil e doloroso desejar justiça para uma pessoa que se ama. Mas ainda assim meu sentimento feminista não afasta essa idéia, mesmo tendo se passado tantos anos. Porque uma coisa que os homens que violentam suas famílias não pensam é que a memória das crianças não passa. É algo que elas carregarão sempre, mesmo que só entendam o que aconteceu décadas depois. Não importa o que meu pai tenha feito de bom para mim, essa mancha nunca será apagada. Como mulher eu não posso permitir que ela se apague jamais.E são tantos outros os personagens asquerosos com os quais compartilho o sangue. Um avô praticamente assassino desses que empunham a Bíblia, tios que ameaçam as esposas e irmãs (entre elas minha mãe), e por aí vai. Mas se há mais de duas décadas as mulheres da minha família resistiram, sei que as próximas gerações resistirão ainda mais. Porque se eu tenho vergonha de ter o sangue de alguns crápulas, ao mesmo tempo me orgulho de carregar o sangue de mulheres guerreiras que lutaram como puderam contra seus agressores. Muitas até conseguiram se livrar deles, afastá-los da própria vida. E sei que as crias femininas dessas gerações pretendem construir convivências mais igualitárias e educar os filhos de uma forma para que tais violências não se repitam de novo. E se um dia eu passar por algo do tipo, espero conseguir vencer o medo e correr atrás de justiça. E também espero nunca parir um canalha.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Tem dias que eu fico pensando na vida...






quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Não foi só com a Alanis
Quem mora em Fortaleza querendo ou não está sabendo da garota de 5 anos que foi raptada, estuprada e morta há uma semana. Para quem não sabe ou não mora em Fortaleza, vou contar o que houve (e por isso o post ficou tão grande). Alanis Maria estava com a família numa igreja do bairro Conjunto Ceará. Enquanto os fiéis se cumprimentavam durante o “abraço da paz”, um homem a levou do lugar e desapareceu. Nas horas seguintes a família da menina promoveu uma intensa mobilização no bairro, espalhando fotografias e dividindo-se em grupos para buscas juntamente com a polícia.A mobilização da comunidade chamou a atenção da imprensa local que também divulgou as fotos da menina e fez com que a cidade acompanhasse de perto o que estava acontecendo. No dia seguinte por volta das 17:00, o corpo da menina foi encontrado num terreno próximo a um canal no bairro Antônio Bezerra. Por coincidência eu estava lá nesse dia, pois o Potô mora a poucos metros do local. Depois que cheguei da escola onde estou lecionando (depois conto mais sobre isso), percebi a intensa movimentação de helicópteros e as pessoas se aglomerando na rua. Ele não estava em casa na hora, tinha ido a uma
locadora com o sobrinho, por isso eu e a sogra ficamos nervosas já que não sabíamos o que estava acontecendo. Depois veio a notícia de que a criança havia sido encontrada. Chegamos inclusive a ouvir que ela ainda estava viva, o que não é verdade de acordo com as matérias que venho acompanhando. Ao contrário dos curiosos que foram ao local ver o cadáver ou mesmo a movimentação, Potô e eu ficamos em casa tentando pensar em outras coisas para afastar a sensação horrível que tomou conta de todos na comunidade.Antes de ontem o suspeito (na verdade ele já confessou) foi preso (juro!) e a polícia vem tentando protegê-lo de um linchamento, pois desde que o corpo da criança foi encontrado uma multidão cobra por justiça (ou vingança?) na frente da delegacia do bairro e arremessa pedras contra viaturas onde o suspeito possa estar. A propósito, o acusado já tem antecedentes de estupro, mas estava em liberdade.

O caso de Alanis Maria não sai da boca dos fortalezenses e nem da pauta dos jornais da cidade. Alguns desses, sensacionalistas que são, fazem discursos longos, temperados e esgotam o assunto até onde não dá mais. O velório da menina e o enterro pareciam assim, quando um artista morre. A missa de sétimo dia, realizada ontem à noite, tinha tanta gente que não coube todo mundo na igreja.
Aí eu tava pensando...
Desde que tudo isso começou eu venho observando a reação e os comentários das pessoas. Todo mundo horrorizado, revoltado e muito triste pelo que aconteceu e sempre chegando e dizendo “como é que um cara faz um negócio desses com uma criança...” Mas o que mais ouvi mesmo foram as pessoas dizendo o quanto a Alanis era linda. “Loirinha do olho verde, coisa mais fofa.”
Não me leve a mal. Não estou dizendo que é ruim que a população esteja revoltada e sensibilizada com o assunto. Isso é muito bom, pois abre um pouco de espaço para um debate que precisa ser travado constantemente. O meu questionamento é: por que as pessoas não ficam assim em TODOS os casos de abuso sexual, estupro e outras violências envolvendo crianças e adolescentes? Quase todos os dias saem notícias nos jornais falando de abuso sexual dentro da própria família, cometidos pelos próprios pais muitas vezes. Mas são notícias pequenas, muitas não ultrapassam nem uma pequena coluna no canto inferior da página. Mas quando acontece com uma menina loirinha de olho verde, coisa mais fofa, aí a gente se revolta, é isso? E as outras? Porque isso não aconteceu só com a Alanis. A família dela não foi a única que sofreu com esse tipo de crime bárbaro nas últimas semanas.
Não sei se a sensibilidade das pessoas está diretamente ligada à cor
da pele da criança. Mas a verdade é que esse tipo de crime é muito comum e constantemente praticado contra crianças negras, que estão em situação de rua ou sofrem os abusos em casa mesmo. É difícil não pensar no filme Tempo de matar quando o advogado de defesa do homem que matou os estupradores de sua filha (toda a família é preta inclusive a vítima. Já os estupradores são brancos) narra como todo o estupro aconteceu. Diante de um júri emocionado, o advogado diz: agora imaginem que a menina é branca. Acho incrível como o olhar dos jurados muda, perplexos. Porque sim, a cor muda o olhar da gente. Acho que isso não dá para negar. Se não deu para entender, recomendo ver o filme que é muito bom e baseado em fatos reais.Mas voltando à questão da superficialidade das pessoas. Lembro da vez em que fui a um debate a respeito de exploração sexual contra crianças e adolescentes. Uma pessoa acolá (que acha uma perda de tempo se envolver nessas besteiras de movimento social) disse que era uma perda de tempo, que tinha umas meninazinhas aí que até gostavam, que eram sem-vergonha. Essa senhora, quando assiste a alguns programas policiais mostrando garotas exploradas sexualmente fica dizendo que elas são safadas e não sei o que mais. E agora tava aí querendo ir ao velório da Alanis, uma menina que ela nem conhecia. Queria “prestar solidariedade à família.” Mas tem que ver que a pobre menina foi obrigada a ir, né? Essas outras aí sofrem não, acham até bom. Se vão porque querem não é violência. Nojo, nojo, nojo.
E vem jornal-circo dizer que precisamos proteger nossas crianças. Os mesmos que identificam constantemente na TV vítimas de abuso sexual ou mesmo mostram as imagens de adolescentes infratores, violando o Estatuto da Criança e do Adolescente que (vejam só!) foi criado exatamente para proteger nossas crianças. Reclamam em seus pequenos auditórios dessas pessoas que “querem proteger os pequenos marginais privando a sociedade de conhecê-los e usam a censura para barrar o trabalho dos comunicadores.”Sejamos francos. Nossa sociedade não quer proteger as crianças. Algumas pode até ser, mas não
todas. Porque se a gente quisesse de verdade proteger a todas elas, as mobilizações seriam intensas constantemente, o assunto jamais sairia das pautas jornalísticas e a polícia agiria rápido sempre. Essa pressão popular que é fundamental para concretizar mudanças, não se limitaria a acontecimentos como este que por alguma razão parece mais atrativo e emocionante do que outras centenas. Acho que por o acompanhamento da imprensa ter acontecido desde o início, deixando as pessoas ansiosas por um desfecho. Como se estivessem assistindo a uma novela. Uma pena que a mobilização estruturante seja apenas factual e limitada e seja tratada como mais um drama da vida real a ser esquecido em pouco tempo, juntamente com outros milhares de casos.segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Fim de semana de alegrias e tristezas
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Idiota
E eu tenho que ser simpática porque ele tava só brincando?
Na-na-ni-na-não.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Ética e Censura - Qual é a mais temida?
O que as criaturas não sabiam é que câmeras de segurança na rua e de uma agência de banco registraram TUDO o que aconteceu. E assim como eu adoro quando um homem rico e famoso é preso por bater na companheira ou por não pagar pensão, também adoro quando alguém faz uma besteira e tem uma câmera filmando tudo. Nesse caso, mais de uma.
Agora vamos linkar esse acontecimento recente com outro que aconteceu aqui no Ceará.
Aqui no estado temos muitos desses programas policiais carniceiros e sensacionalistas. Alguns inclusive são apresentados por vereadores e deputados estaduais. Pois é.
Então, há mais ou menos um mês, três delegados foram exonerados pelo Secretário de Segurança Pública por exibirem acusados (e não condenados) para esse tipo de imprensa. E isso contra a vontade dos presos, que muitas vezes tentavam esconder o rosto com camisetas ou tentavam se esconder das lentes.Por causa disso, uma polêmica foi criada. Principalmente por apresentadores desse tipo de programa, que inclusive costumam exibir também menores de idade infratores ou que foram vítima de abuso ou exploração sexual. Mesmo isso ferindo o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Alguém adivinha o que os apresentadores começaram a dizer em seus programas? Que essa decisão fere a liberdade de imprensa (é um povo que enche os jornalistas éticos de vergonha e qualquer coisinha já clamam pela liberdade de imprensa) e que o cidadão tem direito de saber quem comete crimes para se proteger.
Sobre o primeiro argumento, faça-me o favor. Odeio essa doença que alguns jornalistas (formados ou não) tem de dizer que qualquer exigência já é censura. Francamente. Muitas vezes nada mais é do que uma exigência de que se cumpra a lei e até mesmo o código de ética dos Jornalistas, mas até parece que todo mundo tem que dizer amém para tudo que a imprensa faz. Senão o povo é taxado de tirano, déspota e censurador. Na verdade, essa coisa de clamar pela liberdade de imprensa e contra a censura muitas vezes não passa de manipulação, de quem quer usar os meios de comunicação em favor próprio. Porque ninguém clama pela ética, né? Mas liberdade de imprensa TODO MUNDO QUER.

Quanto a dizer que o cidadão tem direito de saber quem comete as barbaridades, é aí que linkamos com o caso no Rio de Janeiro. Acontece que assim como em outros casos envolvendo policiais, nenhum veículo televisivo divulgou o nome dos PMs que roubaram os ladrões e deixaram a vítima agonizando. Pelo menos não que eu tenha visto.
As câmeras filmaram tudo, os policiais foram punidos (pelo menos é o que dizem) e mesmo assim, ninguém disse o nome deles ou mostrou fotos.
Mas aí, eis que prendem um suspeito de ser um dos assaltantes. Ontem assisti a uma matéria sobre isso e a repórter disse o nome completo dele e a idade! Só faltou dar o endereço, telefone, MSN e Orkut pra gente adicionar. Na mesma matéria, quando fazia uma suíte (lembrar o caso desde o início) ela disse "dois policiais" ao invés de identificá-los. E um detalhe é que o reconhecimento ainda não tinha sido feito, ou seja, ainda não era provado que era mesmo aquele homem quem cometeu o crime.
E aí eu me pergunto por que a imprensa não faz questão de identificar essas pessoas "poderosas". Não contestam a decisão de proteger policiais corruptos e nem levantam a bandeira contra a censura. E se nós temos o direito de saber quem são aqueles que cometem crimes, que garantia temos de que tais policiais foram afastados do serviço? Porque francamente, eu não queria um sujeito desses fazendo a segurança do meu bairro nem de graça.
Interessante também é pensar que os delegados por aqui diziam que não eram eles quem exibiam os presos para a imprensa marrom. Mas não são os delegados os responsáveis pelo que acontece em suas delegacias? E porque a imprensa não consegue mostrar da mesma forma os criminosos pobres e aqueles que tem grana para pagar advogado?
São muitas dúvidas mas algo nos impede de ter as respostas. Deve ser a censura.
