sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Post Temático - Balé!

O tema escolhido para o post temático desta semana por mim foi o balé. Tentei fazer num estilo mais desproporcional, parecido com o das ilustrações da revista Atrevida há anos atrás. Os desenhos pareciam feitos de massinha e eram bem divertidos. A meia lilás expressa um desejo subconsciente de usar meias coloridas.

Tentei colocar um efeito de luz, sobre a bailarina como se fosse um holofote, parecido com o que o Guto faz. Usei o efeito "Lentes" no Corel, mas não deu certo, ficou feio. E aí, Guto, cê pode dar a receita?

O post temático funciona assim: toda semana alguém sugere um tema e aí na sexta-feira os participantes postam nos bloguenhos nhendos. Quem quiser participar também, deixa um aviso nos comentários para que possamos linkar a arte, que não precisa ser só desenho.
Confira trabalhos dos outros simpáticos e talentosos participantes sobre o mesmo tema desta semana:


Fiz uma bailarina negra, porque adoro desenhar bailarinas assim. Quase sempre as pessoas estranham, já que por alguma razão o balé é considerado uma coisa meio padronizada como coisa de "branco". Ano passado eu pintei uma tela com uma bailarina assim, e quase todo mundo que via perguntava porque eu tinha feito ela negra. Se fosse branca, ninguém perguntaria por quê, percebe?

Este ano minhas irmãzinhas vieram do interior passar uns dias, e aproveitei e dei o quadro à uma delas que tem 9 anos, adora balé e tem muita vontade de fazer. Ela me disse que tinha adorado, mas que ficaria mais bonito se eu tivesse pintado ela de "cor da pele". Nosso priminho que tem quase a mesma idade que ela concordou. Meu pai, que convive mais com minha irmã do que eu e é negro, apenas riu. Já a mãe dela, que é branca, quando viu o quadro, perguntou porque eu tinha desenhado a bailarina tão "queimada". Onde será que minha irmã aprendeu isso, né? Não estou dizendo que foi com os pais delas, já que há racismo em todos os lugares. Mas os pais, que deveriam desconstruir, ou não dão importância, ou reforçam o preconceito. Afinal, eles também estão no contexto.

Será que meu primo e minha irmã são crianças racistas e más? Claro que não. Elas estavam apenas reproduzindo o que lhes é dito cotidianamente, sem perceber que é preconceito. Aliás, elas provavelmente nem sabem o que é isso. Eu lembro que quando era criança eu e minhas coleguinhas de classe (estudava num colégio só para meninas) também chamávamos o bege de cor da pele e a professora também. Inclusive as negras (professoras e crianças). Se ensinamos às nossas crianças que o bege (ou então rosa claro) é cor da pele, elas vão achar que gente negra tem cor de quê? De qualquer coisa, menos de pele, já que o bege é que é cor da pele. E quando vão pintar seres humanos nas gravuras infantis, vão pintar de que cor? Qual a única opção na caixinha de lápis? Dessa forma o preconceito vai sendo enraizado nas crianças sem que elas percebam, o que é muito cruel. O processo de desconstrução depois acaba sendo muito mais doloroso e complicado.

Nem sempre basta rir do que as crianças falam. Aliás, não deveríamos rir nunca, a não ser de piadas. Temos que levar mais a sério o que elas dizem, respeitá-las, conversar com elas e provocar reflexões nos pequenos. O respeito e senso crítico precisa ser estimulado desde o início. E isso para mim não é roubar a infância das criaturas, porque desde cedo elas se relacionam socialmente com outras crianças. Basta saber conversar e respeitar o contexto delas.
O que eu disse à minha irmã? Disse a ela que existem peles de várias cores, e que o bege não é a única opção. E que a bailarina que fiz para ela não era bege porque era negra, e não deixava de ser bonita por isso. Ela ficou pensativa e depois foi brincar de bailarina. Simples assim.

7 comentários:

Michelle disse...

Uau, texto super reflexisivo...gostei do texto bem elaborado!
Jornalismo na veia, parabéns!

Cintia Yamane disse...

adorei o seu post, tanto na ilustração quanto no texto. Realmente, criança absorve tudo que os adultos falam, as vezes a gente acha que nem estão prestando atenção, mas os bichinhos são espertos. Esse negócio de preconceito infelizmente existe em todo lugar, se não é com raça, é com a profissão, ´nivel financeiro, obesidade, etc...

Cintia Yamane disse...

aah! as firulas são as ondinhas mesmo. Faço direto na ferramenta midia artistica do corel =)

asnalfa disse...

Menina, adorei o texto. Adoro textos jornalisticos assim, da forma que vc fez.
Tem um filme otimo, sobre preonceito de homem no balé, chame-se Billy Elliot. O pai quer que o filho de 13 anos faça boxe mas o menino quer balé. Eu adorei. Assita vc e sua prima tb.
Abracos!

Guto de Oliveira disse...

Legal heim Sher ... seus vetores tem ficado cada vez melhores sem falar nos textos ... estão ótimos ... parabéns

bjos

Guto de Oliveira disse...

haaaa ... agora que vi sobre o efeito ... eu uso o photoshop ... eu pinto a área que quero que tenha efeito de luz, deixo ela por cima d etodos os layers e dpeois vou apagando com a borracha (air brush) em uma opacidade 30% ... he isso ...
bjos

isabela almeida disse...

oi tudo bem com vc eu gostei desse texto com conversa com as pessoas urgente