quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Tornar-se vegetariana fase 1: salvar vaquinhas


Quero compartilhar com @s leitor@s do blog uma mudança que estou tentando realizar na minha vida. Estou passando pelo processo de me tornar uma vegetariana. O objetivo é ao menos diminuir drasticamente o consumo de carne, começando pela de boi, para em seguida excluir frango e peixe (que eu acho o mais difícil). Porco, apesar de ser carne branca, acho que vou fingir que é vermelha, porque o abate dos porquinhos é muito cruel e por algum motivo os acho muito parecidos com vacas. E também por causa dos filmes "Babe o porquinho atrapalhado" e "A menina e o porquinho". Esse último na verdade é um desenho, já que eu não vi o filme com a Dakota Fanning.

O processo não tem sido doloroso. Já há alguns dias, tenho diminuído a carne vermelha. Aliás, praticamente não comi, substituindo esse alimento por proteína de soja, ovos, frango ou peixe. Não posso dizer que estou totalmente pura, afinal recentemente comi um potinho de geléia de mocotó, que eu adoro (ai, que difícil que vai ser deixar de comer isso!) e acabei provando umas carnes por aí. É muito mais difícil quando a carne existe, entende? Por exemplo, se está num lugar e pede algo vegetariano, beleza. Mas se quem está com você pede um churrascão, é mais difícil não pedir um pedacinho. Principalmente para mim, que sou muito pidona. Mas enfim, é um processo. E além de evitar comer vaquinhas e boizinhos também não tenho utilizado Knor nas receitas, pelo menos não o de carne. Mas não pretendo eliminar alimentos de origem animal que não resultem na morte deles, como ovos, leite e mel. Ao menos inicialmente.

Durante os últimos dias que passei na casa do meu benhê, a mãe dele preparou feijão com pedaços de carne no caldo, e eu comi, retirando os pedaços. Mas na quinta-feira à noite, enquanto assistíamos Aline, Potô pediu comida. Um bauru enorme para ele. Como não haviam muitas alternativas para mim, a não ser pastel (vegetariano sofre em lanchonete), quis apenas uma vitamina de ameixa. Só que a vitamina tava ruim e o cheiro do sanduíche dele era muito bom. Pedi um pedacinho e ele disse que não, porque tinha carne (é isso aí, amor nhendo). Deu nem tempo de insistir, tamanha a velocidade que a criatura come. Mas ainda bem que não deu tempo. E eu preciso aprender a fazer hambúrguer de soja.

O interessante é que está rolando solidariedade e até uma influência positiva nos hábitos alimentares das pessoas com quem convivo. Há semanas minha mãe não compra carne vermelha e tem experimentado formas diferentes de preparar soja. E ela também gostou de perceber o quanto proteína de soja é bem mais barata. A minha irmã, que detestava o alimento, também já começa a simpatizar com a idéia.


Já o meu amor nhendo, apesar de não pretender se tornar vegetariano, também diminuiu um pouco o índice de carne vermelha em sua alimentação. E acha que minha influência pode ser boa para ele, como um estímulo ao maior consumo de legumes e verduras. Inclusive dia desses preparamos uma macarronada de soja incrível, e todo mundo curtiu, sem fazer careta. Infelizmente não encontro mais a receita na Internet, mas tem outras muito boas neste site. Confesso que achei algumas muito caras e complicadas, que pediam congumelos de preços nada saudáveis. Mas a gente faz uma gambiarra e substitui umas coisas e pronto! Nenhum animal morreu para que o prato fosse preparado e ainda fica bom!

Desde que conheci pessoas vegetarianas em encontros feministas que eu simpatizo e admiro a causa. As razões são muitas: a primeira, obviamente, é a crueldade com os animais. A criação dos bichos para corte é feita de forma muito fria e o abate também. Não gosto da idéia de um bicho nascer e crescer apenas para ser consumido. Acho cruel e meio egoísta.

Outro motivo é a quantidade de hormônios e outras coisas que são dadas aos animais para que eles cresçam depressa. Para se ter uma idéia, o tempo entre o pintinho sair do ovo e estar pronto para abate costuma ser muito menor do que quando o processo acontece naturalmente, com alimentação livre de hormônios. Além disso, a carne dos frangos de granja (quase sempre são idênticos, não é assustador? ) é macia porque eles não andam. São criados num ambiente pequeno e apertado, com milhares de outros frangos, e com muita comida por todos os lados. Por isso eles não precisam andar para comer, ao contrário da galinha caipira que é criada a céu aberto e cisca. A mesma lógica pode ser usada com o gado. Quanto mais macia a carne, menos o bicho andou em vida. Uma vez vi no Globo Rural que uma granja mantinha uma iluminação estratégica para que os frangos tivessem a ilusão de que o dia durava mais e não parassem de comer. Por conseqüência, eles cresciam e engordavam mais depressa. Não sei se em todas é assim, mas achei muito cruel. Tipo a bruxa do João e Maria, lembra?

Também já ouvi dizer que carne vermelha não faz muito bem à saúde, alguma coisa a ver com radicais livres. E sei que ela também é nutritiva, mas os nutrientes podem ser encontrados em outros alimentos. Também acredito que ao se cortar os animais mortos da alimentação, pode-se desenvolver hábitos saudáveis como o consumo de mais vegetais variados, e por conseqüência mais fibras e vitaminas. Claro que existe o problema dos agrotóxicos e desmatamento. Diz-se que a soja no Brasil é quase toda transgênica. Mas isso é uma questão de fiscalização da sociedade e conhecer as origens dos alimentos consumidos. Sem falar no detalhe que muito do que é plantado aqui é para fins de exportação e não consumo interno. Além disso, sempre há a possibilidade de se cultivar uma horta em casa, pelo menos com vegetais e temperos mais básicos. Certo, nem sempre é uma possibilidade, mas eu quero ter muito uma quando me casar com o Potô. Ops, eu escrevi isso em voz alta?
Quanto ao desmatamento, ele é muito pior quando se trata das criações de gado, já que elas exalam gases tóxicos na atmosfera que prejudicam a camada de ozônio. Esses gases são provenientes do húmus e... bem, dos gases dos animais.

Enfim, a principal razão dessa vontade de mudar é a compaixão pelos animais. Respeito quem consuma carne numa boa e não pense tanto nisso, mas acho que minha decisão provavelmente não será tão respeitada assim. Vai ter alguém pra me chamar de fresca e do contra. Fazer o quê, né? Mata não, bem.

7 comentários:

Cintia Yamane disse...

que legal essa iniciativa, sher, eu não como carne vermelha, a não ser que não tenha outra coisa pra comer, mas porque eu nao gosto mesmo, me pesa no estomago. Depois de um tempo sem comer, quando come, ixe... fico estufada o dia inteiro.

minha mãe compra uns extratos e proteinas de soja, e faz umas coisas bem legais, vou pedir pra ela passar a receita pra vc... tipo, uma vez ela fez pro guto um salgado assado, onde a massa e o recheio eram feitos com esse extrato, a massa ficou macia e o recheio, minha mãe enganou ele, falando que era camarão! hahahah...
mas fica bem gostosinho

e como andas o tematico??? eu axo que ja fiz o meu... XD

L. Archilla disse...

parei de comer carne vermelha por um bom tempo ano passado, mas voltei porque meu irmão, totalmente carnívoro, veio morar aqui e enchia a geladeira com delícias de carne, o que dificultava as coisas. mas adorei a experiência, me sentia mais leve, era muito legal. agora estou tentando voltar, mas essa solidariedade não rola aqui em casa... minha mãe, na pressa, acaba fazendo carne moída com batata no almoço, comprando presunto pro lanche, aí eu como, pq já tá lá mesmo, né? ahhaha

ah, e carne de porco é branca? jura? considerava vermelha...

mas, diferente de vc, não parei por causa da crueldade contra os animais (se fosse isso, teria que parar com frango também), mas pela questão ambiental. admito que sou insensível com bichos, a não ser que sejam meus, claro. ahahahah

mas acho que, na questão ambiental, se cada um se conscientizasse e tentasse eliminar pelo menos um tipo de carne (de preferência a de vaca, que é a mais danosa), ou diminuir consideravelmente (por ex quem come MUITA carne), ajudaria tanto... pena que ninguém tá nem aí. eu tento fazer minha parte...

L. Archilla disse...

ah, e acho maldade os produtos vegetarianos prontos serem tão caros, já que quando se faz em casa sai tããão mais barato que carne.

Sheryda Lopes disse...

Valeu, Cíntia! Eu estaria sendo muito hipócrita se dissesse que não gosto de carne vermelha, ou que passo mal quando como. Mas ultimamente tenho sentido um pouco de nojo em pensar em comer, sabe? Acho que já estou desenvolvendo um pouco o hábito. E eu agradeceria muito se vc mandasse uma receita! Estou pensando em fazer posts contando experiências gastronômicas e estou super aberta a sugestões!
Também acho que já fiz o meu, mas não sei, ficou meio feio, rs! Não vejo a hora de chegar a sexta e ver as criações do povo!

Sheryda Lopes disse...

Lauren, eu também acho muito difícil resistir quando tem em casa. Uma carne cheirosinha no fogão, sabe? Para resistir, tenho colocado só o caldo molhando o arroz para aos poucos acostumar meu paladar.
Carne de porco é branca sim! E também pode ser até mais saudável que a de frango porque ela é a única onde carne e gordura não se misturam, daí se trata de uma carne muito leve. Dependendo da dieta do porco (tipo se eel comer muitos vegetais magros), pode ser um alimento muito magro. Mas tem que ter cuidado com os terríveis vermes, preparando a carne com muita higiene.

Ai que horror! Seja piedosa com os outros bichinhos também! Mas confesso que não sou nem um pouco piedosa com baratas e aranhas, apesar de não conseguir matar. Sempre chamo alguém para fazer o serviço sujo por mim. rs

E realmente seria muito bom se os preços fossem mais justos, ou pelo menos que a comida vegetariana fosse opção em todos os lugares. Tenho comido muito frango porque estou no início do processo, mas quando largar, vai ser muito complicado. Já peixe, não sei como farei porque adoro. Talvez eu nunca consiga largar, pelo menos o sushi. Mas vou tentar diminuir muito.

mazzy disse...

Eu também estou nessa batalha para me tornar vegetariana...
Não é fácil. Não por que o sabor da carne seja algo que me apeteça muito, mas porque ser vegetariano é difícil mesmo!
Primeiro que saladinha não é tão barata como pensam... Segundo que, pra quem cozinha todos os dias como eu, é bem difícil elaborar cardápios mais ou menos equilibrados sem a maldita carne.
Mas nós vamos conseguir!

Sheryda Lopes disse...

Oi, Mazzy! Nem sei quando vc comentou por aqui, me desculpe pela demora. Olha só, a Internet é uma aliada incrível. Nas comunidades do orkut e em vários sites tem muitas receitas legais e simples de fazer. Sem falar que também dá para se informar sobre nutrição (caso vc não consiga se consultar com um nutricionaista, como eu). Abraço! Força aí!